Carnaval 2025
Entre o Bloco da Folia e o Bloco do Ponto Batido
O Carnaval chega mais uma vez, com seus confetes voando ao vento e a energia contagiante dos trios elétricos. Para muitos, é tempo de brilho, fantasia e samba no pé. Para outros, é tempo de bater ponto e seguir a rotina, enquanto os sons da festa ecoam do lado de fora da janela do escritório. A grande dúvida persiste: Carnaval é feriado ou não?
Se dependesse do coração do brasileiro, a resposta seria um uníssono “sim!”. Mas o relógio da burocracia tem outros ponteiros. O calendário oficial do país não reconhece a festa como um feriado nacional. Ou seja, para alguns, é ponto facultativo, para outros, expediente normal. A folia depende do CEP, do sindicato ou, se tiver sorte, de um chefe compreensivo que libera os funcionários para ao menos um “dois pra lá, dois pra cá”.
Nas grandes cidades, o dilema se repete. O banco fecha, mas a farmácia abre. O comércio pode funcionar ou não, a depender do setor. O garçom que serve a cerveja gelada no bar da esquina está no batente, enquanto um bloco de foliões passa enlouquecido pela avenida. A cena ilustra bem o Brasil: um país onde se trabalha duro, mas se festeja com a mesma intensidade.
Aqueles que são escalados para o serviço durante o Carnaval sentem o peso do “quase-feriado”. O relógio parece girar mais devagar quando se está atrás do balcão de uma loja, vendo clientes suados de glitter entrando e saindo. Os que batem ponto em hospitais, delegacias e postos de combustível sabem que, enquanto muitos se divertem, outros seguram as pontas para que a festa continue acontecendo.
Por outro lado, há os que negociam a folga, combinam compensações e estendem a alegria até a Quarta-feira de Cinzas. Para eles, o Carnaval é sagrado. Vale a pena economizar um dia de férias só para se perder no batuque dos blocos ou vibrar na arquibancada de um desfile.
E assim, entre um confete e uma planilha, um brinde e um relatório, o Brasil segue no compasso do samba e da realidade trabalhista. Quem está na folia, dança. Quem está no trabalho, segura a marimba. Mas, no fundo, todos esperam por aquele momento mágico: quando o relógio bate a hora da liberdade e, enfim, cada um pode escolher seu próprio ritmo para aproveitar – ou descansar da festa que ainda nem começou.











