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O cansaço que virou processo

O cansaço que virou processo

Tem um tipo de cansaço que o fim de semana não cura. Você dorme, acorda, toma café, e continua exausto. Não é preguiça, não é frescura. Tem nome, tem código na Classificação Internacional de Doenças e, cada vez mais, tem número de processo.

Um levantamento recém-divulgado mostrou que, em dez anos, quase 23 mil trabalhadores brasileiros levaram o burnout à Justiça do Trabalho. Somadas, essas ações passam de nove bilhões de reais. Em 2016 eram pouco mais de novecentos casos no ano inteiro. Em 2024, quase seis mil. Um crescimento de 400%.

O que mudou? Em 2022, a Organização Mundial da Saúde reconheceu oficialmente o esgotamento profissional como doença ocupacional. No ano seguinte, o Brasil fez o mesmo. Foi o momento em que aquele cansaço difuso, aquela irritação sem motivo aparente, aquela sensação de que nada do que se faz basta, saiu do campo do “cada um se vira” e entrou no campo do direito.

Os números seguintes doem um pouco. O Brasil é o segundo país do mundo em prevalência de burnout, atrás apenas do Japão. Em 2024, mais de 440 mil brasileiros se afastaram do trabalho por ansiedade, depressão ou esgotamento. No ano passado, a Previdência concedeu mais de 546 mil benefícios por transtornos mentais, o maior número já registrado. Em pouco mais de uma década, esse volume mais que dobrou.

Alguns setores aparecem mais que outros. O financeiro lidera. Hospitais e prontos-socorros vêm logo atrás. E a educação, as escolas, os professores, teve o crescimento mais acelerado de todos: 287% em cinco anos. Mais da metade dos docentes ouvidos relatou ansiedade. Talvez isso explique algumas coisas sobre as pessoas que criam nossos filhos oito horas por dia.

Desde maio deste ano, vigora uma norma nova. A NR-1 passou a obrigar as empresas a mapear e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho, pressão excessiva, metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio. A mesma lógica que já se aplicava ao capacete e à luva agora se aplica à saúde mental. É um avanço. Também é, convenhamos, um atestado de que o problema chegou a um ponto em que só a lei conseguia resolver.

Mas fica uma coisa. Processo é sempre a última etapa. Quando o caso chega ao juiz, alguém já adoeceu, alguém já foi afastado, alguma família já passou meses estranhos. A verdadeira solução não está no fórum, está na reunião de segunda-feira, na meta que ninguém questiona, no chefe que acha que gritar é gestão, no colega que a gente vê definhando e finge não notar.

Se você está ouvindo isso e reconheceu alguma coisa, em você ou em alguém perto, não deixe passar. Cansaço que não passa merece ser levado a sério. Procure um médico. Converse. E se for o caso, saiba que existe amparo legal.

O trabalho deveria sustentar a vida. Não consumi-la.

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Entre o Bloco da Folia e o Bloco do Ponto Batido

Carnaval 2025

Entre o Bloco da Folia e o Bloco do Ponto Batido

 

O Carnaval chega mais uma vez, com seus confetes voando ao vento e a energia contagiante dos trios elétricos. Para muitos, é tempo de brilho, fantasia e samba no pé. Para outros, é tempo de bater ponto e seguir a rotina, enquanto os sons da festa ecoam do lado de fora da janela do escritório. A grande dúvida persiste: Carnaval é feriado ou não?

 

Se dependesse do coração do brasileiro, a resposta seria um uníssono “sim!”. Mas o relógio da burocracia tem outros ponteiros. O calendário oficial do país não reconhece a festa como um feriado nacional. Ou seja, para alguns, é ponto facultativo, para outros, expediente normal. A folia depende do CEP, do sindicato ou, se tiver sorte, de um chefe compreensivo que libera os funcionários para ao menos um “dois pra lá, dois pra cá”.

 

Nas grandes cidades, o dilema se repete. O banco fecha, mas a farmácia abre. O comércio pode funcionar ou não, a depender do setor. O garçom que serve a cerveja gelada no bar da esquina está no batente, enquanto um bloco de foliões passa enlouquecido pela avenida. A cena ilustra bem o Brasil: um país onde se trabalha duro, mas se festeja com a mesma intensidade.

 

Aqueles que são escalados para o serviço durante o Carnaval sentem o peso do “quase-feriado”. O relógio parece girar mais devagar quando se está atrás do balcão de uma loja, vendo clientes suados de glitter entrando e saindo. Os que batem ponto em hospitais, delegacias e postos de combustível sabem que, enquanto muitos se divertem, outros seguram as pontas para que a festa continue acontecendo.

 

Por outro lado, há os que negociam a folga, combinam compensações e estendem a alegria até a Quarta-feira de Cinzas. Para eles, o Carnaval é sagrado. Vale a pena economizar um dia de férias só para se perder no batuque dos blocos ou vibrar na arquibancada de um desfile.

 

E assim, entre um confete e uma planilha, um brinde e um relatório, o Brasil segue no compasso do samba e da realidade trabalhista. Quem está na folia, dança. Quem está no trabalho, segura a marimba. Mas, no fundo, todos esperam por aquele momento mágico: quando o relógio bate a hora da liberdade e, enfim, cada um pode escolher seu próprio ritmo para aproveitar – ou descansar da festa que ainda nem começou.

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OS FIOS INVISÍVEIS QUE INTERLIGAM A POLÍTICA E A ECONOMIA

OS FIOS INVISÍVEIS QUE INTERLIGAM A POLÍTICA E A ECONOMIA

A sociedade se desenvolve de forma complexa, e dois elementos acabam se amarrando e se tornam indissociáveis: política e economia. Apesar de não reconhecermos abertamente, esses dois fatores acabam se tornando como fios invisíveis que moldam o destino da sociedade e, consequentemente, afetam o cotidiano das pessoas.

As decisões políticas repercutem nas engrenagens econômicas. Precisamos compreender que a cada eleição é um novo governo que assume e, dessa forma, a nação tomará um novo rumo.

Quando se consegue aplicar a harmonia entre política e economia, há impulsionamento do crescimento e, assim, atinge-se a estabilidade econômica.

Infelizmente, são rotineiros  ruídos de  corrupção, de interesses pessoais e de disputas partidárias que nos afetam diretamente. A incerteza política é como uma tempestade que assola os mercados, desencorajando investimentos e enfraquecendo a capitalização.

Precisamos lembrar que as mudanças políticas geram novas perspectivas, reformas estruturais e a retomada da confiança. Quando a política e a economia se alinham, os resultados são palpáveis: crescimento econômico, geração de empregos e prosperidade para todos.

Como um maestro habilidoso, nossos líderes políticos têm a responsabilidade de conduzir a orquestra político-econômica com maestria. As aspirações da população devem ser ouvidas. O governo precisa implementar políticas inclusivas e agenciar um ambiente propício aos negócios. Somente com essa harmonia perfeita teremos a certeza de que a economia irá alavancar.

A verdade é que precisamos de uma crescente em nossa economia, pois há muitas empresas à beira do colapso econômico e famílias em desespero para a manutenção do básico. O quanto antes, o rumo que nossa nação trilhará deve ficar claro e seguido a fim de que investidores, empresários e a própria população sintam-se mais seguros e confiantes para empreenderem, pois sabe-se que empreendimento gera empregos e, consequente, progresso.