O Crédito que Aperta, mas Não Solta
O novo Crédito do Trabalhador, lançado pelo governo Lula, vem sendo vendido como um alívio para os brasileiros endividados. Mas, na prática, ele é apenas um nó um pouco menos apertado no pescoço de quem já mal consegue respirar financeiramente.
A proposta parece tentadora: empréstimos consignados com juros mais baixos do que os cobrados pelo mercado tradicional. O detalhe, no entanto, está na garantia exigida. Além do desconto direto na folha de pagamento, o trabalhador precisa oferecer até 10% do seu FGTS. Sim, aquele mesmo saldo que deveria ser uma reserva para emergências ou para o futuro.
Para muitos, a escolha se torna uma armadilha: pagar dívidas com juros abusivos de um lado ou comprometer parte do pouco que ainda possuem do outro. E assim, a dívida não some — ela apenas troca de dono, e a corda no pescoço se ajusta de um jeito novo.
O governo defende a iniciativa como uma forma de facilitar o acesso ao crédito e movimentar a economia. Mas a verdade é que o crédito fácil, sem planejamento financeiro e com garantias limitadas, só prolonga o endividamento dos mais pobres. Em vez de libertar, aprisiona.
O trabalhador, que já enfrenta instabilidade no emprego e um custo de vida crescente, agora se vê diante de um dilema: manter uma reserva mínima de segurança ou entregar tudo para quitar parcelas que podem se arrastar por anos. Se for demitido antes do fim do pagamento? A dívida continua. Se precisar do FGTS para algo urgente? O saldo já estará comprometido.
Assim, o “Crédito do Trabalhador” se assemelha a um presente de grego. Dá uma falsa sensação de alívio, mas no fim das contas, mantém o trabalhador exatamente onde sempre esteve: refém do sistema financeiro, pagando juros, sem fôlego e sem saída.





