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Corredores do Medo

Corredores do Medo

 

Era para ser só o som do sinal. O barulho seco que anuncia o recreio, o fim da aula, o começo de uma nova lição. Mas nas escolas brasileiras, o que se ouve com mais frequência é o silêncio tenso da insegurança. Em vez de risadas, há olhares desconfiados. Em vez de entusiasmo, o medo.

 

Na Escola João de Zorzi, em Caxias do Sul, esse medo ganhou forma e faca. Uma professora foi esfaqueada em sala de aula por dois adolescentes. Ela sobreviveu. A escola também, ainda que ferida — não apenas em sua estrutura, mas em sua função mais básica: proteger e educar. O crime, premeditado, levou à prisão dos jovens e à transferência para unidades da Fase. Mas e os demais? Os alunos que assistiram? Os colegas que estudavam nas salas ao lado? O trauma não se prende. O medo não é transferido de comarca.

 

Dados do PISA já anunciavam a tragédia em números frios: 10% dos estudantes brasileiros não se sentem seguros dentro das escolas. No trajeto até elas, esse número salta para 19%. Quase um em cada cinco. Quando o medo começa antes mesmo da aula, a aprendizagem já se perde no caminho.

 

Em João de Zorzi, pais pediram reforço na segurança e apoio psicológico. A direção atendeu. Mas será suficiente? Há anos os educadores gritam — às vezes sem voz — que estão sozinhos diante de uma realidade que transborda os muros da escola. E quando o medo se instala, não há conteúdo que o desinstale.

 

A sala de aula deveria ser abrigo, sementeira de sonhos, terreno fértil para a transformação. Mas virou palco de episódios violentos, de bullying persistente, de agressões silenciosas e explícitas. A professora de Caxias está em casa, tentando “entender o que aconteceu”. Nós também. Porque entender é o primeiro passo para mudar. Ou ao menos, tentar.

 

Enquanto isso, seguimos — professores, pais, alunos — como soldados da educação em tempos de guerra invisível. Resistindo, ensinando, aprendendo. E torcendo para que os corredores escolares voltem a ecoar apenas o som das descobertas, e não o sussurro do medo.

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O Crédito que Aperta, mas Não Solta

O Crédito que Aperta, mas Não Solta

 

O novo Crédito do Trabalhador, lançado pelo governo Lula, vem sendo vendido como um alívio para os brasileiros endividados. Mas, na prática, ele é apenas um nó um pouco menos apertado no pescoço de quem já mal consegue respirar financeiramente.

 

A proposta parece tentadora: empréstimos consignados com juros mais baixos do que os cobrados pelo mercado tradicional. O detalhe, no entanto, está na garantia exigida. Além do desconto direto na folha de pagamento, o trabalhador precisa oferecer até 10% do seu FGTS. Sim, aquele mesmo saldo que deveria ser uma reserva para emergências ou para o futuro.

 

Para muitos, a escolha se torna uma armadilha: pagar dívidas com juros abusivos de um lado ou comprometer parte do pouco que ainda possuem do outro. E assim, a dívida não some — ela apenas troca de dono, e a corda no pescoço se ajusta de um jeito novo.

 

O governo defende a iniciativa como uma forma de facilitar o acesso ao crédito e movimentar a economia. Mas a verdade é que o crédito fácil, sem planejamento financeiro e com garantias limitadas, só prolonga o endividamento dos mais pobres. Em vez de libertar, aprisiona.

 

O trabalhador, que já enfrenta instabilidade no emprego e um custo de vida crescente, agora se vê diante de um dilema: manter uma reserva mínima de segurança ou entregar tudo para quitar parcelas que podem se arrastar por anos. Se for demitido antes do fim do pagamento? A dívida continua. Se precisar do FGTS para algo urgente? O saldo já estará comprometido.

 

Assim, o “Crédito do Trabalhador” se assemelha a um presente de grego. Dá uma falsa sensação de alívio, mas no fim das contas, mantém o trabalhador exatamente onde sempre esteve: refém do sistema financeiro, pagando juros, sem fôlego e sem saída.

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Entre o Bloco da Folia e o Bloco do Ponto Batido

Carnaval 2025

Entre o Bloco da Folia e o Bloco do Ponto Batido

 

O Carnaval chega mais uma vez, com seus confetes voando ao vento e a energia contagiante dos trios elétricos. Para muitos, é tempo de brilho, fantasia e samba no pé. Para outros, é tempo de bater ponto e seguir a rotina, enquanto os sons da festa ecoam do lado de fora da janela do escritório. A grande dúvida persiste: Carnaval é feriado ou não?

 

Se dependesse do coração do brasileiro, a resposta seria um uníssono “sim!”. Mas o relógio da burocracia tem outros ponteiros. O calendário oficial do país não reconhece a festa como um feriado nacional. Ou seja, para alguns, é ponto facultativo, para outros, expediente normal. A folia depende do CEP, do sindicato ou, se tiver sorte, de um chefe compreensivo que libera os funcionários para ao menos um “dois pra lá, dois pra cá”.

 

Nas grandes cidades, o dilema se repete. O banco fecha, mas a farmácia abre. O comércio pode funcionar ou não, a depender do setor. O garçom que serve a cerveja gelada no bar da esquina está no batente, enquanto um bloco de foliões passa enlouquecido pela avenida. A cena ilustra bem o Brasil: um país onde se trabalha duro, mas se festeja com a mesma intensidade.

 

Aqueles que são escalados para o serviço durante o Carnaval sentem o peso do “quase-feriado”. O relógio parece girar mais devagar quando se está atrás do balcão de uma loja, vendo clientes suados de glitter entrando e saindo. Os que batem ponto em hospitais, delegacias e postos de combustível sabem que, enquanto muitos se divertem, outros seguram as pontas para que a festa continue acontecendo.

 

Por outro lado, há os que negociam a folga, combinam compensações e estendem a alegria até a Quarta-feira de Cinzas. Para eles, o Carnaval é sagrado. Vale a pena economizar um dia de férias só para se perder no batuque dos blocos ou vibrar na arquibancada de um desfile.

 

E assim, entre um confete e uma planilha, um brinde e um relatório, o Brasil segue no compasso do samba e da realidade trabalhista. Quem está na folia, dança. Quem está no trabalho, segura a marimba. Mas, no fundo, todos esperam por aquele momento mágico: quando o relógio bate a hora da liberdade e, enfim, cada um pode escolher seu próprio ritmo para aproveitar – ou descansar da festa que ainda nem começou.

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O Peso Invisível das Coisas

O Peso Invisível das Coisas

 

Outro dia, enquanto esperava o café coar, fiquei observando as notícias. Falavam sobre números, projeções, índices. O mercado reagia assim, o governo tentava aquilo. O PIB, a inflação, o desemprego. Tudo milimetricamente calculado, como se a vida coubesse em gráficos.

 

Mas aí olhei para fora e vi a dona Marlene, minha vizinha, carregando as sacolas de coisas do supermercado. O jeito como ela segurava as alças, os passos curtos e cuidadosos, me disseram mais sobre a economia do que qualquer manchete.

 

Lembrei de quando ela me contou, no fim do ano passado, que a carne virou artigo de luxo lá em casa. O filho dela, que trabalhava como motoboy, teve que vender a moto. “Dizem que a economia tá melhorando”, ela comentou na época, “mas ainda não chegou na minha mesa.”

 

Penso em como a economia é uma ciência estranha. Dizem que melhora, mas não perguntam pra quem. Medem números, mas não olham pro peso invisível das coisas: a dignidade perdida na fila do auxílio, o medo de não dar conta do aluguel, a revolta de quem se sente enganado.

 

É por isso que o descontentamento não obedece a gráficos. A raiva encontra outros nomes, outros culpados. E quem se sente invisível acaba buscando quem pelo menos finja vê-lo.

 

A política, no fim das contas, nunca foi só sobre economia. Sempre foi sobre o peso que a vida real tem e que ninguém consegue medir.

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O Acordo Gaúcho: Uma Nova Chance para Recomeçar

O Acordo Gaúcho

Uma Nova Chance para Recomeçar

O Acordo Gaúcho, ao proporcionar essa oportunidade de diálogo e entendimento, busca também romper com um ciclo vicioso de conflitos intermináveis, que muitas vezes são benéficos para ninguém, nem para o Fisco, nem para o contribuinte. A realidade das dívidas fiscais, acumuladas muitas vezes por desajustes econômicos ou pela complexidade do sistema tributário, exige um olhar mais atento e, principalmente, mais humano. É preciso compreender que as dificuldades financeiras não são uma escolha, mas sim um reflexo de circunstâncias que, muitas vezes, estão além do controle do contribuinte.

 

Ao oferecer condições mais flexíveis de pagamento, com descontos atrativos e a possibilidade de parcelamento, o Acordo Gaúcho tenta equilibrar a balança, favorecendo a regularização sem gerar novos impasses financeiros no futuro. Isso não quer dizer que o programa seja uma panaceia, mas, ao invés de simplesmente empurrar as dívidas para frente, ele propõe uma reorganização, algo mais próximo de um recomeço do que de uma solução provisória.

 

Em última análise, a grande pergunta que fica é: estamos prontos para abraçar essa nova maneira de lidar com as dívidas tributárias? O Acordo Gaúcho oferece um caminho, mas é preciso que cada contribuinte, com o auxílio adequado, saiba se aproveitar dessa oportunidade de forma responsável. E, mais do que isso, é preciso que o sistema tributário continue a evoluir, para que novas gerações de contribuintes possam se sentir parte de um processo fiscal mais justo, transparente e equilibrado.

 

Esse é o grande desafio que está em jogo: reconstruir a relação entre o cidadão e o Fisco, para que ambos, juntos, possam olhar para o futuro sem a carga das dívidas do passado. O Acordo Gaúcho, neste sentido, não é apenas um acordo financeiro, mas um pacto social, uma chance de recomeçar com mais equidade e menos desconfiança.

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O Preço da Esperança

O Preço da Esperança

 

Dona Cândida nunca pensou que precisaria de um advogado. Sempre foi mulher de poucas palavras, dessas que resolvem tudo com um aperto de mão e um “Deus lhe pague”. Mas os tempos mudaram, e o que antes se resolvia na base da confiança, agora se debate entre cláusulas e jurisprudências.

 

Quando descobriu que o joelho gasto pela lida de anos precisava de uma prótese, pensou que o plano de saúde, fiel companheiro de décadas, estivesse ao seu lado. O boleto, pago religiosamente todo mês, não falhava. O que falhou foi a resposta da operadora: negativa. “Tratamento fora do rol da ANS”, justificaram.

 

Dona Cândida não entendeu bem o que isso significava, mas entendeu que seu joelho continuaria doendo. No consultório, o médico recomendou um remédio importado. Nova negativa. Dessa vez, com um acréscimo burocrático: “Não há cobertura contratual”.

 

Ao buscar esclarecimento, descobriu algo ainda mais assustador: seu plano de saúde havia sofrido um reajuste de 40%. O aumento foi inesperado e sem aviso prévio, deixando-a sem alternativas. Quando questionou, recebeu uma resposta vaga: “Reajuste por sinistralidade”. Não houve explicação detalhada, nem dados que justificassem o aumento.

 

Foi assim que ela conheceu a justiça. Não por vontade, mas por necessidade. Seu nome passou a figurar entre os quase 300 mil processos contra planos de saúde. Descobriu que não estava sozinha. Eram tantos e tantos outros que, como ela, acreditaram na promessa de segurança e foram surpreendidos pela frieza dos contratos.

 

No tribunal, um juiz decidiu que o plano deveria cobrir o tratamento e revisou o reajuste. A vitória veio com um gosto agridoce: por que precisou brigar pelo que era seu direito? Ao sair da audiência, observou ao redor. Outras donas Cândidas, outros Josés e Marias, todos esperando sua vez, lutando pela própria saúde.

 

Os planos de saúde seguem reajustando contratos sem transparência, e os consumidores seguem buscando seus direitos. A procura por um advogado especializado se tornou não apenas uma opção, mas uma necessidade para aqueles que querem entender e contestar aumentos abusivos.

 

O preço da esperança nunca esteve tão alto. E o custo, ao que tudo indica, não é apenas financeiro.

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O Som das Férias Sem Notificações

O Som das Férias Sem Notificações

 

É verão, e as escolas estão em silêncio. Mas este silêncio, desta vez, carrega um novo significado. Não é apenas a pausa das aulas, os corredores vazios ou os pátios desertos. É o eco de uma mudança que espera os estudantes no próximo ano letivo: a ausência das telas onipresentes.

Com a sanção da lei que limita o uso de celulares em escolas, o presidente Lula deu início a uma nova página na história da educação brasileira. Em janeiro, enquanto o calor convida ao descanso e às brincadeiras, as redes de ensino já se preparam para um futuro onde a atenção dos alunos será mais valiosa que qualquer notificação.

Férias são para recarregar. Para os alunos, significa tempo livre, diversão e, para muitos, horas intermináveis no celular. Mas a nova lei vem como um alerta sutil: há vida além das telas. Em 2025, quando voltarem às salas de aula, os estudantes encontrarão um espaço renovado, livre da interferência constante de dispositivos móveis.

Essa pausa prolongada da escola também se torna um momento perfeito para os pais e educadores refletirem sobre o impacto das telas no cotidiano. E se as férias forem uma oportunidade de resgatar brincadeiras antigas, conversas genuínas e uma convivência mais humana?

A lei não é uma afronta à tecnologia, mas uma tentativa de encontrar equilíbrio. Ela reconhece que, embora os celulares sejam ferramentas poderosas, seu uso indiscriminado tem consequências profundas na concentração, no aprendizado e na saúde mental dos jovens.

Durante o anúncio, o presidente Lula destacou a coragem desse passo. Não se trata de resistir ao futuro, mas de proteger o presente. O ministro da Educação, Camilo Santana, lembrou os dados do Pisa que mostram como os celulares distraem os alunos, especialmente nas aulas de matemática. Agora, cabe às escolas não apenas limitar o uso, mas criar estratégias que promovam o bem-estar e a consciência sobre os perigos do excesso.

Enquanto as férias seguem seu curso, fica o convite para experimentar algo novo – ou talvez algo antigo. Ler um livro sem distrações, brincar na rua, conversar com amigos sem intermediários digitais. Quando o ano letivo começar, esses hábitos poderão florescer nas escolas, inspirados por uma legislação que valoriza o que realmente importa: a presença.

Por ora, as escolas descansam, mas o futuro já está sendo preparado. Um futuro onde, finalmente, o som predominante nos pátios e nas salas de aula será o das vozes dos estudantes, livres do ruído das notificações. As férias podem ser o primeiro passo para essa transformação, um momento para todos – pais, filhos e educadores – redescobrirem a magia de estar aqui e agora.

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O Peso da Toga Invisível e o Orgulho de 2024

Sou advogada. Isso quer dizer que carrego histórias, sonhos e, muitas vezes, desilusões. Não uso toga no meu dia a dia, mas sinto o peso dela em cada decisão, em cada petição e, principalmente, em cada olhar ansioso de um cliente que me vê como sua última esperança.

Em 2024, além da rotina dos processos, carreguei outro desafio que me trouxe um orgulho imenso: escrevi e publiquei cerca de 52 colunas ao longo do ano a esta fanpage. Cinquenta e duas oportunidades de compartilhar reflexões sobre a advocacia, as nuances do direito e as histórias que moldam essa profissão tão complexa e apaixonante.

Escrever é um exercício que exige não só técnica, mas também entrega. Em cada texto, busquei transformar os desafios do cotidiano, os aprendizados profissionais e até os desabafos silenciosos em palavras que ressoassem com quem me lê. Foram palavras que saíram do coração, muitas vezes inspiradas por processos que vivi no tribunal ou conversas com clientes e colegas.

A advocacia, afinal, não é só sobre papéis ou leis. É sobre gente. Sobre histórias que precisam ser ouvidas e, muitas vezes, traduzidas em linguagem jurídica. E essas colunas me permitiram dialogar com um público maior, trocar experiências e sentir que, de alguma forma, estava contribuindo para uma visão mais humana do direito.

Encerrar o ano com essa realização é especial. Cada coluna publicada foi mais que uma meta cumprida; foi uma extensão da minha voz e da minha paixão pela advocacia. Saber que elas foram lidas, comentadas e, em muitos casos, tocaram as pessoas, é a maior recompensa.

E assim, finalizo 2024 com a toga invisível um pouco mais leve. Feliz por ter conseguido equilibrar prazos, compromissos e a escrita. Que 2025 traga novas histórias, novos aprendizados e, quem sabe, outras 52 colunas para compartilhar.

A todos que me acompanharam nessa jornada, meu muito obrigada. Seguimos juntos, navegando as incertezas, ajustando as velas e, claro, escrevendo nossa história.

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OS IMPACTOS DA UBERIZAÇÃO NA SOCIEDADE

REGULAMENTAR PARA PROTEGER: OS IMPACTOS DA UBERIZAÇÃO NA SOCIEDADE

Em um mundo em constante mutação, onde a tecnologia redefine nossas relações, o termo “uberização” tornou-se um retrato pungente do cenário laboral atual. Para nós, advogados, ela traz à tona um dilema que transcende disputas jurídicas: como equilibrar progresso tecnológico, direitos trabalhistas e justiça social?

A cada dia, mais trabalhadores adentram esse universo de algoritmos que prometem autonomia, mas que muitas vezes mascaram a precarização. O presidente do TST, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, destacou recentemente que a questão exige mais do que o olhar atento da Justiça do Trabalho; é um desafio para toda a sociedade. Como garantir a Previdência Social e a segurança desses profissionais? Quem será responsável pelo cuidado daqueles que, ao final de uma vida laboral sem proteção, enfrentam a velhice desamparados?

O impacto não é apenas econômico, mas também humano. Imagine o motoqueiro que entrega seu último pedido, exausto após 36 horas de trabalho. Não é apenas a segurança dele que está em jogo, mas a de todos ao seu redor. Regular, nesse contexto, não é restringir a liberdade individual, mas protegê-la da exploração invisível dos sistemas digitais.

O debate sobre a plataformização deve ser enfrentado com coragem. Como advogada, acredito que a legislação precisa avançar para acompanhar as novas formas de trabalho, garantindo direitos sem sufocar a inovação. Isso inclui a criação de um marco regulatório que assegure contribuições à Previdência, estabeleça limites de jornada e incentive a conciliação — uma solução que, como os números do Cejusc evidenciam, é eficaz e transformadora.

O que está em jogo, afinal, não é apenas a legalidade, mas a humanidade. A uberização não pode ser a nova regra do jogo; ela deve ser um ponto de partida para construirmos um mercado de trabalho mais justo, onde tecnologia e dignidade coexistam em harmonia. Se o Judiciário tem o papel de mediar conflitos, cabe a nós, operadores do Direito, instigar a mudança e lutar por um futuro que não precarize a essência do trabalho.

DALL·E 2024-10-21 15.00.24 - A powerful image for the article 'A Advocacia e Suas Prerrogativas_ Guardiões da Justiça.' It shows a wide courtroom bathed in soft light, where a law

A Advocacia e Suas Prerrogativas: Guardiões da Justiça

A Advocacia e Suas Prerrogativas: Guardiões da Justiça

 

Na penumbra de um tribunal, onde a luz do conhecimento brilha sobre os desafios cotidianos, os advogados se tornam, sem dúvida, os verdadeiros guardiões da justiça. Em um mundo repleto de nuances e incertezas, eles vestem a toga como quem assume uma armadura, prontos para defender não apenas interesses individuais, mas também a própria essência da legalidade.

 

As prerrogativas do advogado são mais do que meros direitos; são baluartes que sustentam a democracia. Direito de se comunicar livremente com seus clientes, de ter acesso a processos e de pleitear a sua ampla defesa são instrumentos fundamentais. Sem esses direitos, a defesa se tornaria uma miragem, uma sombra que se dissipa diante das adversidades.

 

Pensemos, por exemplo, na relação entre advogado e cliente. É um vínculo que exige confiança, onde o sigilo é sagrado. Essa prerrogativa não é apenas uma formalidade; é a espinha dorsal da ética na advocacia. O advogado, ao ouvir os segredos e medos de seu cliente, torna-se um confessor e um combatente, pronto para enfrentar batalhas jurídicas que podem definir destinos.

 

Entretanto, a luta pela efetividade dessas prerrogativas não é fácil. Em um cenário onde o poder pode ser avassalador, os advogados frequentemente se deparam com desafios que testam sua resiliência. É nesse terreno que se revela o verdadeiro caráter da profissão. O advogado não é apenas um técnico do Direito; é um idealista, um defensor da igualdade diante da lei, que muitas vezes precisa se levantar contra a correnteza.

Mas há um outro aspecto que não pode ser esquecido: a prerrogativa da liberdade de atuação. Essa liberdade, que garante ao advogado o direito de se manifestar de forma ampla e irrestrita em juízo, é vital para o funcionamento do sistema judicial. É através dela que se promove o contraditório, que se assegura que todas a

 

A luta pela valorização das prerrogativas dos advogados não é apenas uma questão corporativa; é uma questão de cidadania. Quando as prerrogativas são respeitadas, todos nós ganhamos. A sociedade se fortalece, pois a justiça se torna mais acessível, e a verdade, mais iluminada. Quando um advogado se ergue em defesa de seu cliente, ele se torna um farol em meio à escuridão da injustiça.

 

Assim, ao refletirmos sobre as prerrogativas dos advogados, é fundamental reconhecer que elas são pilares de um sistema que deve ser, acima de tudo, justo. Que esses guardiões continuem a lutar com bravura, desafiando as sombras que tentam obscurecer a verdade e a justiça. Pois, em última análise, a força da advocacia reside na sua capacidade de ser a voz de quem não pode se fazer ouvir, de ser o escudo de quem precisa de proteção e, sobretudo, de ser um defensor incansável dos valores democráticos que todos devemos preservar.