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Entre a Justiça e os Algoritmos

As paredes da 112ª Conferência Internacional do Trabalho testemunharam, mais uma vez, o diálogo entre tradição e futuro. Lá, entre vozes que ecoavam em nome de milhões de trabalhadores, o ministro Lelio Bentes Corrêa lembrou que a inteligência artificial não é apenas tecnologia — é também desafio ético e jurídico.

É curioso observar como a história insiste em se repetir: em cada revolução industrial, a promessa de progresso vem acompanhada da sombra do desemprego e da precarização. O que antes eram máquinas a vapor, hoje são algoritmos invisíveis. A diferença é que, desta vez, os impactos chegam não apenas à fábrica, mas também ao escritório, ao tribunal, ao coração do próprio Direito.

Falava-se em transição justa. Palavra carregada de densidade normativa, que não é mero desejo, mas princípio: equilibrar os interesses de empresas, acionistas e trabalhadores em uma travessia que não exclua ninguém. Afinal, de que adianta um mundo mais eficiente se nele não houver espaço para dignidade?

A pauta da conferência traz à tona o que nós, juristas, não podemos ignorar: a qualificação profissional não é apenas recomendação, é exigência constitucional ligada ao valor social do trabalho; a proteção social, por sua vez, é mais do que política pública, é garantia mínima de cidadania. Quando a tecnologia ameaça transformar direitos em exceções, o Direito deve reagir como contrapeso.

O futuro do trabalho talvez dependa menos da potência dos algoritmos e mais da clareza das nossas escolhas jurídicas. Queremos uma inteligência artificial que desumanize ou que potencialize o humano? Queremos decisões automáticas e opacas, ou transparência e responsabilização?

No fim, resta a lição: se a revolução tecnológica é inevitável, a justiça social não pode ser opcional. Entre a máquina e o homem, o Direito precisa ser a ponte — firme, equilibrada, justa

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Dia do Advogado

11 de Agosto – Dia do Advogado

Hoje, 11 de agosto, é o nosso dia.
O dia de quem escolheu viver entre leis, prazos, petições e audiências… mas, acima de tudo, entre histórias humanas.

Ser Advogada é muito mais do que falar bonito no tribunal ou citar artigos e súmulas. É ter no peito um compromisso com algo maior que nós mesmas: a Justiça. É olhar para um cliente e enxergar não apenas um processo, mas uma vida inteira que depende daquela folha de papel, daquela sustentação oral, daquela estratégia pensada madrugada adentro.

É acordar antes do sol para chegar à comarca, muitas vezes com o coração acelerado, e sair de lá já no escurecer, carregando o peso e o orgulho de mais uma batalha. É trabalhar enquanto o mundo dorme, com o barulho do teclado sendo a trilha sonora da noite, para que um prazo não se perca e um direito não se apague.

Amar o Direito é acreditar que, por trás de cada número de processo, há sonhos, dores e esperanças. É ter coragem de defender o certo mesmo quando isso incomoda, mesmo quando o cansaço grita mais alto. É aprender a celebrar pequenas vitórias, porque muitas vezes elas são gigantes para quem as recebe.

Mas nem sempre é fácil… Há dias em que a Justiça parece distante, que a sentença dói mais do que alivia. Há momentos em que a sala de audiência se transforma num campo de prova para a nossa resistência emocional. Há prazos que apertam, colegas que não colaboram, decisões que nos frustram. E, ainda assim, seguimos. Porque ser Advogada é continuar, mesmo quando tudo parece dizer para parar.

Hoje, quero dizer que amo profundamente o que faço. Amo o Direito não porque ele seja perfeito, mas porque, apesar das imperfeições, ele me permite lutar. Amo cada cliente que confiou em mim, cada causa que me transformou, cada lição que aprendi na prática, com a vida. Amo até o peso das pastas, porque sei que dentro delas carrego mais do que papéis: carrego destinos.

Neste Dia do Advogado, abraço meus colegas de jornada. Nós sabemos que o caminho é feito de muito mais do que vitórias e títulos. É feito de entrega, ética, persistência e, sobretudo, amor.

Que possamos seguir firmes, defendendo o que é justo, honrando nossa toga invisível e lembrando que nossa maior vitória é nunca deixar de acreditar no poder do Direito.

Feliz Dia do Advogado. Que nossa voz nunca se cale.

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Entre o Doce e o Amargo

Entre o Doce e o Amargo: Uma Análise Jurídica do Morango do Amor

Era uma tarde comum no meu escritório, pilhas de processos espalhadas pela mesa e o Código de Defesa do Consumidor sempre à mão. No entanto, aquela sexta-feira trouxe um caso inusitado: o famigerado “morango do amor”.

 

O doce, que deveria ser símbolo de romance e delicadeza, ganhou os holofotes por razões um tanto amargas. Um vídeo viral mostrava uma confeiteira, sorridente, mordendo o caramelo duro que envolve o morango – até que o sorriso se transformou em careta. O dente cedeu. A internet explodiu em memes, risos e questionamentos.

 

Como advogada, não consegui apenas rir da cena. Vi ali um universo de implicações jurídicas: direito do consumidor, propaganda, responsabilidade civil. Quem morde um morango do amor espera doçura, não um potencial laudo odontológico.

 

Pensei no Código de Defesa do Consumidor. Ele garante informação clara, transparência sobre riscos, segurança no consumo. E aquele morango, duro como uma pedra, poderia ser considerado um produto perigoso? O confeiteiro teria o dever de avisar que o caramelo poderia quebrar dentes?

 

Enquanto refletia, outra notícia surgiu: uma edição “luxo” do morango, vendida a R$ 2.100, se esgotou em São Paulo. E, em poucos dias, surgiu uma versão ainda mais cara: R$ 2.300. O romance do doce parecia ter se tornado caso de concorrência, abuso de preços e, quem sabe, até especulação gastronômica.

 

No fundo, o morango do amor revelou algo maior: como nossas relações com o consumo, a vaidade e o desejo de exclusividade podem nos levar a aceitar pagar caro, ou até arriscar um dente, em nome de uma experiência.

 

Fechei o processo que estava analisando e olhei para a xícara de café. Sorri. Na advocacia, aprendemos que até um simples morango pode ser recheado de questões jurídicas – e que, por trás do açúcar, sempre pode haver algo duro de engolir.

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Postar Também é Assumir: O Peso das Palavras na Internet

Na era em que tudo cabe em uma tela, os dedos se tornaram canetas velozes e os celulares, vitrines para o mundo. Um deslizar de polegar, um clique impensado, e pronto: uma imagem, uma frase, um comentário atravessam fronteiras invisíveis, alcançam desconhecidos e, muitas vezes, não voltam mais.

 

É aí que mora a responsabilidade, silenciosa, mas gigante. Porque publicar ou compartilhar algo não é apenas “postar”; é assumir que aquele conteúdo carrega o seu nome, a sua voz, a sua escolha. E toda escolha, cedo ou tarde, cobra um preço.

 

Quantas vezes ouvimos “era só uma brincadeira” ou “eu não tive intenção de ofender”? Mas a verdade é que a internet não lê intenções, só mensagens. A legenda maldosa, a foto compartilhada sem permissão, o meme que humilha alguém, tudo isso ganha vida própria, escorre para fora das conversas privadas e, muitas vezes, machuca de forma irreversível.

 

O caso das alunas que ofenderam a professora no WhatsApp é só um retrato desse tempo: acreditaram que os status eram um espaço fechado, mas descobriram que a rede é feita de frestas. E por essas frestas, a honra da docente foi exposta, sua dignidade ferida.

 

Publicar e compartilhar exige mais do que reflexo: exige reflexão. A tela pode ser pequena, mas a repercussão é imensa. Porque cada palavra, cada imagem, carrega um pedaço do que somos, e pode, em um instante, construir ou destruir.

 

No fim, a lição é simples, mas necessária: responsabilidade digital não é opcional. É dever de quem fala, de quem compartilha, de quem clica. Afinal, o mundo virtual tem consequências muito reais.

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Gestão com regra móvel

Gestão com regra móvel: o desafio de empreender no país dos adiamentos

Empreender no Brasil exige vocação para o improviso. Quem administra pessoas, turnos e contratos de trabalho conhece bem a realidade: a norma muda, volta, é suspensa, depois adiada. Agora, foi a vez da regra sobre o trabalho aos domingos e feriados. Outra vez. Quarta, para ser exato.

 

A obrigatoriedade de convenção coletiva para abrir as portas em feriados, que entraria em vigor em julho, foi empurrada para março de 2026. O que era para ser a consolidação de uma diretriz trabalhista, virou mais um capítulo da crônica da insegurança jurídica.

 

Do ponto de vista da gestão, o impacto vai além do jurídico. Um feriado sem definição é um planejamento comercial travado. É um RH em alerta, um setor operacional na dúvida e um jurídico tentando interpretar o que vale, quando e para quem. Em um país onde já é difícil manter previsibilidade financeira, agora falta também previsibilidade normativa.

 

Não se trata de ser contra a negociação coletiva. Ao contrário, ela é essencial em muitos setores. O problema é a falta de transição segura. O vai-e-volta legislativo transforma boas intenções em obstáculos operacionais. E a negociação, que deveria ser ponte entre os interesses, vira muro quando imposta sem tempo ou clareza.

 

O empresário não teme a regra clara. O que paralisa é a regra móvel. Porque enquanto Brasília decide o que vale, o empresário precisa decidir se abre ou fecha. E mais: precisa garantir que, seja qual for a escolha, ela esteja juridicamente protegida.

 

Em tempos de mudanças constantes, talvez o maior diferencial competitivo seja justamente este: conseguir manter o equilíbrio, mesmo quando o país insiste em dançar conforme a música — mesmo que ela mude no meio do compasso.

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Luz, cofre e colapso

Luz, cofre e colapso

 

Dizem que o último a sair deve apagar a luz. Mas o Brasil é tão criativo que decidiu inverter a ordem: vai cortar a luz antes que alguém pense em sair. E não por economia de energia — mas por falta de dinheiro mesmo.

 

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avisou: se o Congresso barrar a alta do IOF, a máquina pública para. Sem imposto, sem verba. Sem verba, sem luz, sem insumo, sem toner de impressora, sem papel higiênico. E, claro, sem o cafezinho — o verdadeiro motor da burocracia nacional.

 

Mas calma. Não se trata de um alarme falso. É só o Brasil sendo o Brasil. Aqui, tudo é dramático, tudo é urgente, tudo é cirúrgico. E Haddad, o cirurgião, precisa operar um paciente em coma com um bisturi enferrujado e uma lanterna de celular. A cirurgia é complexa, ele sabe. Só esqueceu de dizer que quem vai pagar o centro cirúrgico é você.

 

Sim, você. O cofre é você. O contribuinte é o plano A, B e C. O Brasil, no fim das contas, é um grande Pix coletivo.

 

E quando alguém ousa questionar o aumento de impostos, a resposta é pronta: colapso. A máquina trava, o país quebra, o caos se instala. Tudo isso por uma mera tentativa de respirar fora do sufoco fiscal.

 

Enquanto isso, nos bastidores, a novela segue: Virginia antecipa o drama da semana, e a mídia se esbalda em reconciliações, apostas e escândalos. Porque, entre uma PEC e um reality show, o brasileiro sempre acaba trocando a indignação pelo entretenimento.

 

No fundo, a pergunta não é mais quem vai apagar a luz. A pergunta é: quem vai pagar a conta?

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A Arte de Tropeçar em Si Mesmo

A Arte de Tropeçar em Si Mesmo

Na política, como na vida, às vezes o maior adversário não está do lado de fora. Está no espelho. E o espelho de Brasília tem refletido, nos últimos tempos, mais desalinho do que propósito.

O presidente Lula, em seu terceiro ato no Planalto, parece reviver o paradoxo do rei nu: cercado de ministros que falam demais, agem de menos e raramente na mesma direção. E enquanto ele sobrevoa o mundo em compromissos internacionais, aqui embaixo a cena é de um governo que tropeça em suas próprias pernas.

A coluna de Kotscho descreve o caos com a precisão de quem já viu muito: vazamentos estratégicos, recuos improvisados, derrotas silenciosas travestidas de conciliação. Haddad anuncia, Renan vaza. Marina propõe, Silveira desfaz. E Lula, qual maestro sem batuta, tenta reger uma orquestra que já não segue a partitura.

Não se trata apenas de má comunicação — embora essa também falhe com frequência —, mas de algo mais profundo: a falta de coesão, de projeto, de comando que una em torno de um rumo comum. É a “bateção de cabeça” que, mais que ruído, vira sintoma de uma engrenagem desregulada.

Como advogada, observo com inquietação o avanço sorrateiro das boiadas legislativas, a fragilidade da pauta ambiental e o encolhimento do debate público em meio a crises internas que ocupam todo o espaço. Em tempos de tanta instabilidade, até os princípios constitucionais parecem ecoar em silêncio.

A democracia se sustenta no dissenso, mas não sobrevive ao caos. O Executivo, sem articulação firme, cede terreno ao Congresso voraz — não por estratégia, mas por exaustão. E assim, enquanto a popularidade escorre pelas pesquisas e o otimismo murcha nas ruas, resta a pergunta que paira como névoa: Lula governa ou apenas administra crises?

Entre viagens e tropeços, o tempo corre. E, como no xadrez, o relógio não perdoa quem hesita demais.

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O Texto Se Perdeu

O Texto Se Perdeu

Outro dia, esbarrei com Platão sendo chamado de “cringe”. Confesso que me doeu. Não por um saudosismo barato, mas por uma constatação que já vinha me cutucando há tempos: perdemos o texto. E quando digo “texto”, não falo só da gramática, da ortografia ou da vírgula fora do lugar. Falo da ideia. Do pensamento. Do mergulho.

Nas vitrines das livrarias, os livros mais vendidos não contam histórias — ensinam como “vencer”, “atrair”, “manifestar”. Coloridos, com títulos imperativos, oferecem fórmulas prontas para viver sem pensar muito. A Bíblia virou autoajuda. Shakespeare, nome de filme. E Machado de Assis… esse ficou difícil. Relegado à estante dos vestibulares, virou bicho-papão em vez de espelho.

Enquanto isso, José de Alencar perdeu sua vaga para José Dirceu na lista dos mais lembrados. E perguntar “que livro você está lendo?” passou a ser ato de arrogância. Afinal, quem lê em tempos de Reels?

Na CPI, senadores jogam tigrinho. Na universidade, medicina virou franquia e biologia virou maquiagem. O advogado, esse que um dia foi a voz da razão, agora precisa implorar por dois mil reais e um pouco de respeito. O biólogo faz botox, e o filósofo? Ah, esse virou meme.

Mas não é só isso. Há algo mais fundo, mais grave. Algo que os dados confirmam com frieza: 84% dos brasileiros não compram livros. Trinta por cento não entendem parágrafos. E o pior: muitos não sentem falta disso. Perdemos a intimidade com a leitura como se fosse apenas um luxo de antigamente. Ler virou esnobismo. Pensar, rebeldia.

Sobraram os clubes dos pensadores — espaços de resistência onde ainda se tenta salvar um pouco de Machado, de Platão, de Clarice. Neles, a esperança se alimenta de miudezas: uma frase grifada, um debate acalorado, um livro emprestado. Nesses clubes, ainda se apaixonam por ideias. Ainda se lê com o coração aberto.

Mas do lado de fora, o texto continua se perdendo. E com ele, nos perdemos também.

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Quando a crise deixa de ser manchete e vira vizinha

Quando a crise deixa de ser manchete e vira vizinha

Dizem que a crise é invisível. Começa como número. Um dado isolado numa planilha de Excel, um gráfico que sobe ou desce nos telejornais, uma sigla que a gente repete sem entender: PIB, IPCA, SELIC. Mas ela vai se aproximando, primeiro pelos noticiários, depois pelas prateleiras dos mercados, pelas farmácias com seus frascos pela metade, até virar uma presença concreta. E então, a crise deixa de ser conceito e passa a ser rotina. Deixa de ser manchete e vira vizinha.

Café trancado atrás das grades. Azeite com lacre de segurança. Carne como item de luxo — não apenas em restaurantes, mas nas mesas dos brasileiros. Essa não é uma distopia futurista. É o retrato do presente, esculpido pela instabilidade econômica e pela irresponsabilidade fiscal. A inflação não mora só nos boletos. Mora no carrinho de compras, nas refeições reduzidas, no remédio que agora é comprado em dose, não em caixa.

Seis em cada dez brasileiros passaram a comer menos. Oitenta por cento mudaram os hábitos. Quase quarenta por cento deixaram de comprar remédio. Esses números são vozes que ecoam nos corredores dos fóruns, nos balcões de atendimento, nas filas do INSS, nos e-mails que recebo todos os dias com histórias de quem precisa de ajuda para manter o mínimo: dignidade.

Como advogada, vejo a crise nos processos. Na multiplicação de ações por revisão contratual, nas execuções de aluguéis, nas disputas familiares em que o problema não é só afetivo — é financeiro. Vejo também no aumento dos pedidos de gratuidade judiciária, nas mães solo que sustentam lares com uma coragem que o Estado insiste em ignorar.

Como cidadã, me angustia perceber que estamos caminhando para um cenário anunciado: um 2027 em que a crise será ainda mais profunda — não por falta de avisos, mas por escolhas políticas. A democracia, ainda que imperfeita, nos dá o direito de escolher os rumos do país. Mas precisamos fazer isso com responsabilidade. Voto não é grito de revolta. É ferramenta de construção — ou de destruição.

É verdade que não adianta só reclamar. Mas também não adianta empurrar soluções fáceis como se fossem fórmula mágica. “Dolarize suas reservas”, dizem — para quem não tem nem poupança. “Invista na internet”, aconselham — como se bastasse vontade para empreender num país onde abrir uma empresa é uma maratona de obstáculos. A solução real precisa de políticas públicas, mas também de participação cidadã.

A crise pode ainda não ter chegado na sua casa. Mas ela chegou na casa de quem compra de você, de quem paga seu salário, de quem sustenta a economia real — aquela que pulsa nas feiras, nos pequenos comércios, nas mãos calejadas. É hora de se preparar, sim. Mas também é hora de se posicionar.

Porque a crise, quando vira regra, não é mais crise. É projeto.

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A Conta Chegou

A Conta Chegou

Imagine acordar um dia e descobrir que a luz da escola não acendeu, que o posto de saúde fechou mais cedo, que o asfalto da rua ficou esquecido num buraco sem fim. Agora imagine que esse dia tem data para acontecer: 2027.

Projeções do próprio governo alertam: o dinheiro para serviços básicos está acabando. Saúde, educação, segurança — tudo aquilo que forma o alicerce de uma sociedade — corre o risco de ser empurrado para o escanteio.

Não é uma previsão catastrofista de quem gosta de espalhar medo. É um aviso técnico, frio, matemático. A conta pública, que há muito tempo já vinha aos trancos e barrancos, agora corre sério risco de desabar de vez.

Falta planejamento. Falta responsabilidade. Falta, sobretudo, coragem para fazer as reformas que todos sabem necessárias, mas que poucos têm disposição de enfrentar.

E, como sempre, quem pagará essa conta? Nós. Cada um de nós, que depende do ônibus para trabalhar, do hospital para ser atendido, da escola pública para ensinar seus filhos.

Não é sobre números frios em relatórios técnicos. É sobre gente. É sobre a vida real.

Se 2027 parece distante, pense de novo. Estamos a menos de dois anos desse futuro que pode nos cobrar, com juros pesados, a omissão de hoje.

Ainda há tempo? Talvez. Mas é preciso que as decisões certas sejam tomadas — e com urgência.

Porque, do contrário, 2027 deixará de ser uma projeção para se tornar, tristemente, uma dura realidade.